Maturidade analítica: em que nível sua empresa está?

Muitas empresas acreditam que ter dashboards no Microsoft Power BI significa ser “data driven”. Mas maturidade analítica vai muito além de relatórios bonitos.
Segundo a documentação oficial da Microsoft sobre maturidade no Fabric e Power BI, a evolução analítica de uma organização envolve três pilares principais:
  • Governança e cultura de dados
  • Adoção dos usuários
  • Valor entregue pelas soluções analíticas
Ou seja: não basta apenas implementar tecnologia. É preciso criar processos, cultura e gestão em torno dos dados.

O que é maturidade analítica?

Em resumo, maturidade analítica é o nível de capacidade que uma empresa possui para transformar dados em decisões estratégicas.
  • mais confiáveis são os dados;
  • mais automatizados são os processos;
  • maior é a adoção pelos usuários;
  • mais valor o BI entrega ao negócio.
Dessa forma, a Microsoft divide essa evolução em 5 níveis de maturidade.

Nível 1 – Inicial

Nesse estágio:
  • os relatórios são descentralizados;
  • cada área cria controles próprios;
  • existe dependência excessiva de planilhas;
  • não há padronização;
  • quase tudo depende de pessoas específicas.
Como consequência, é comum encontrar:
  • múltiplas versões do mesmo indicador;
  • retrabalho manual;
  • baixa confiança nos dados;
  • dashboards criados “no improviso”.
Geralmente, as empresas nesse estágio estão começando a investir em BI e focam em “ganhos rápidos”.

Sinais de alerta

  • “Qual é o número correto?”
  • “Essa planilha está atualizada?”
  • “Só o fulano sabe mexer nisso.”

Nível 2 – Repetível

Aqui a empresa começa a perceber a importância da governança.
Já existem:
  • alguns padrões;
  • processos minimamente documentados;
  • dashboards mais utilizados;
  • iniciativas de organização.
Mas ainda existem problemas:
  • áreas trabalhando isoladamente;
  • dependência de pessoas-chave;
  • crescimento descontrolado dos relatórios.
Segundo a Microsoft, nessa fase geralmente surgem:

Nível 3 – Definido

Esse é o ponto em que a empresa começa a operar BI de forma realmente estruturada.
Características comuns:
  • processos padronizados;
  • métricas bem definidas;
  • governança ativa;
  • papéis claros;
  • documentação;
  • treinamento interno;
  • comunidade de dados mais madura.
Além disso, a Microsoft destaca que, nessa fase, normalmente já existe:
  • um COE estruturado;
  • patrocinador executivo;
  • investimentos em capacitação;
  • práticas replicáveis entre áreas.
Por isso, esse costuma ser o divisor entre:
  • “ter dashboards”
e
  • “usar dados estrategicamente”.

Nível 4 – Capaz

Nesse estágio:
  • dados fazem parte da operação diária;
  • o BI influencia decisões importantes;
  • existe monitoramento de uso;
  • há padronização forte;
  • a governança é aceita pelas áreas.
Além disso:
  • treinamentos são contínuos;
  • indicadores são acompanhados regularmente;
  • processos de qualidade já estão consolidados.
Como resultado, a empresa deixa de apenas consumir dashboards e passa a construir uma cultura analítica real.

Nível 5 – Otimizado

É o estágio mais avançado.
Aqui:
  • a cultura orientada a dados já está consolidada;
  • automações reduzem erros operacionais;
  • analytics faz parte da estratégia da empresa;
  • existe melhoria contínua;
  • decisões são altamente orientadas por dados.
Além disso, segundo a Microsoft, organizações nesse estágio possuem:
  • comunidades autossustentáveis;
  • forte apoio executivo;
  • monitoramento constante de indicadores;
  • foco contínuo em evolução e inovação.

O maior erro das empresas

Muitas organizações acreditam que maturidade analítica significa apenas comprar ferramentas.
Mas a própria Microsoft reforça que adoção não é somente uso da tecnologia , é uso eficiente da tecnologia.
Você pode ter:
  • Power BI,
  • Data Lake,
  • Fabric,
  • dbt,
  • Azure,
e ainda assim operar com baixa maturidade analítica.
O problema geralmente não está na ferramenta.
Está em:
  • processos;
  • governança;
  • cultura;
  • capacitação;
  • alinhamento com o negócio.

Como evoluir a maturidade analítica

Algumas ações práticas:
  • Padronizar indicadores
  • Criar documentação
  • Definir responsáveis pelos dados
  • Estruturar governança
  • Investir em treinamento
  • Criar processos de qualidade
  • Centralizar métricas críticas
  • Monitorar uso dos dashboards
  • Aproximar BI das áreas de negócio
Além disso, a Microsoft recomenda que as empresas busquem alcançar pelo menos os níveis 300 ou 400 de maturidade para obter maior retorno sobre os investimentos em analytics.

Por Gabrielle Cristine Ribeiro de Carvalho

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