A plataforma do Power BI é amplamente utilizada no mercado como uma das principais soluções para análise de dados e criação de Power BI Embedded relatórios. Sua forma convencional de utilização ocorre por meio de licenciamento individual. Nesse modelo, cada usuário precisa de uma licença própria tanto para desenvolver e publicar relatórios quanto para visualizá-los como usuário final.
E se fosse possível disponibilizar relatórios para diversos usuários sem esse custo de licenciamento individual para usuários de visualização?
E se eu te dissesse que existe uma alternativa oficial da Microsoft para apresentar esses mesmos relatórios desenvolvidos em Power BI em plataformas externas? Essa alternativa também elimina o custo individual de licenciamento para usuários de visualização. Essa alternativa se chama Power BI Embedded.
O que é Power BI Embedded
A tecnologia Embedded, do inglês “Inserido”, do Power BI permite incorporar relatórios e painéis através de iframes totalmente interativos em aplicações externas ao ambiente do Power BI.
Isso significa que em seu próprio site ou aplicação, você pode trazer relatórios ou painéis já desenvolvidos, sem a necessidade de criar esses artefatos do zero ou licenças individuais para cada usuário que irá visualizar os conteúdos.
Diferente do modelo tradicional, onde o acesso ocorre diretamente pelo serviço do Power BI, o Power BI Embedded permite que os relatórios sejam exibidos dentro de portais, sistemas internos ou aplicações próprias, oferecendo uma experiência totalmente integrada ao usuário final.
Como Funciona?
Explicando brevemente sobre a arquitetura e os recursos necessários para utilização dessa tecnologia, podemos destacar três componentes principais: a Capacidade, a Entidade de Serviço e a Aplicação que incorpora os relatórios.
A Capacidade, podendo ser uma capacidade do Microsoft Fabric ou uma capacidade dedicada do Power BI Embedded, é um recurso provisionado no Azure que possui cobrança baseada em tempo de execução e dimensionamento. Ela substitui o modelo de licenciamento individual por usuários no cenário de consumo dos relatórios.
Essa capacidade é vinculada à workspaces e é responsável por fornecer os recursos computacionais necessários para que esses ambientes realizem suas operações, como atualização de modelos semânticos, publicação de relatórios e renderização para os usuários finais.
A Entidade de Serviço, criada no Entra ID (Azure Active Directory), é responsável pela autenticação da aplicação junto ao serviço do Power BI. Ela funciona como uma identidade segura utilizada pelo backend da aplicação para acessar os relatórios, modelos semânticos e workspaces, sem a necessidade de um usuário real do Power BI estar envolvido no processo.
Já a Aplicação (portal, sistema interno ou SaaS) é responsável por consumir e exibir esses relatórios para o usuário final. Essa exibição normalmente é feita utilizando APIs do Power BI para carregar o relatório dentro da aplicação, por meio de um iframe interativo, controlado por bibliotecas oficiais da Microsoft.
Fluxo de geração do relatório incorporado
O fluxo para geração do iframe com relatório ocorre da seguinte forma:
- O usuário acessa a aplicação
- A aplicação realiza uma chamada ao backend solicitando acesso a determinado relatório
- O backend, utilizando a Entidade de Serviço, autentica-se no Power BI
- Em seguida, gera um token de acesso (embed token) com as permissões necessárias
- Esse token é enviado para o frontend da aplicação
- O frontend utiliza esse token para carregar o iframe do relatório dentro da aplicação de forma segura
Todo o controle de acesso passa a ser responsabilidade da aplicação, permitindo definir exatamente quais usuários podem visualizar quais relatórios, sem depender do licenciamento individual do Power BI.
Importante ressaltar que na etapa de geração do embed token, é possível informar identidades específicas para que o relatório seja gerado seguindo regras dinâmicas de RLS.
Licenciamento por usuário vs Capacidade
No licenciamento tradicional, por usuário, existem os planos Power BI Pro e Power BI Premium que permitem a publicação, compartilhamento e acesso para visualização dos objetos do Power BI diretamente pela plataforma app.powerbi.com.
No modelo Embedded, o custo não se baseia mais em licenças individuais para usuários visualizadores. Ele passa a se basear na capacidade, que possui custo variável conforme o tempo em que permanece ativa e seu dimensionamento de computação.
A capacidade não substitui totalmente o licenciamento para todos os usuários, uma vez que quem realiza a publicação, compartilhamento e atualizações nas workspaces ainda precisa de uma licença Power BI Pro ou Premium. Ou seja, a capacidade substitui apenas o licenciamento de usuários finais que precisam exclusivamente visualizar os relatórios.
Quando o uso faz sentido?
Usar o Power BI Embedded faz sentido em cenários onde existe a necessidade de incorporar relatórios desenvolvidos em Power BI em aplicações ou plataformas próprias personalizadas. Isso pode ocorrer tanto para apresentá-los a clientes quanto a usuários internos. Dessa forma, é possível disponibilizar os relatórios sem o “rosto” da plataforma oficial do Power BI.
Também é uma opção vantajosa quando existe um grande volume de usuários visualizadores consumindo relatórios. Nesses casos, o custo da Capacidade pode se tornar mais viável do que o licenciamento individual para cada usuário.
Por outro lado, para empresas que possuem equipes pequenas, o modelo Embedded pode não ser o mais indicado. Isso acontece principalmente devido ao custo e à necessidade de gerenciamento da capacidade.
Desafios
O principal desafio para implementação do modelo Embedded é o fato de ele não ser plug-and-play. Sua utilização exige o desenvolvimento de uma aplicação capaz de realizar a autenticação. Também é necessário implementar a geração de tokens e a exibição dos iframes com conteúdos do Power BI.
Além disso, garantir a segurança no controle de acesso pode exigir uma arquitetura bem definida. A distribuição correta dos conteúdos também demanda cuidados adicionais no desenvolvimento.
Outro ponto importante é a gestão da capacidade. Como o custo está diretamente relacionado ao tempo em que a capacidade permanece ativa e ao seu dimensionamento, é fundamental monitorar o uso. Também é necessário realizar ajustes conforme a demanda e, quando possível, automatizar o desligamento ou o redimensionamento para otimizar esse custo.
Concluindo esse conteúdo, podemos definir que o Power BI Embedded se apresenta como uma alternativa escalável para disponibilização de relatórios a um grande número de usuários. Além disso, pode ser potencialmente mais econômico dependendo do cenário de uso.
Entretanto, sua adoção exige um maior nível de maturidade técnica, tanto no desenvolvimento da aplicação quanto na gestão da infraestrutura e capacidade.
Dessa forma, a escolha pelo uso do Power BI Embedded deve considerar não apenas o custo. Também é importante avaliar o contexto da aplicação, o volume de usuários e a estratégia de distribuição de dados da organização.
Espero que este artigo ajude no melhor entendimento de como funciona esse modelo diferente de utilização do Power BI. Até a próxima!